Quando o bebê começa a sorrir?
Quando costuma sentar?
Com que idade aparecem as primeiras palavras?
Quando a criança começa a correr, brincar com outras crianças ou manter uma pequena conversa?
Essas dúvidas acompanham muitas famílias e ajudam a explicar por que os marcos do desenvolvimento infantil despertam tanto interesse.
Os marcos do desenvolvimento infantil ajudam famílias e profissionais a acompanhar habilidades que surgem ao longo da infância.
Eles funcionam como referências para observar como a criança está adquirindo habilidades ao longo do tempo em diferentes áreas, como movimento, linguagem, aprendizagem, comportamento e interação social.
Mas existe um ponto importante desde o começo:
marco do desenvolvimento infantil não é uma data de vencimento.
Crianças não se desenvolvem como um cronograma em que determinada habilidade precisa aparecer exatamente no mesmo dia ou mês para todas.
Existem diferenças individuais.
Ao mesmo tempo, acompanhar o desenvolvimento é importante porque permite perceber a evolução da criança, conversar sobre dúvidas nas consultas e buscar avaliação quando alguma preocupação persiste.
No Brasil, a Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde, é uma das principais ferramentas utilizadas para esse acompanhamento e contém instrumentos específicos para a vigilância dos marcos do desenvolvimento.
Neste guia, você vai entender:
- o que são os marcos do desenvolvimento infantil;
- quais áreas costumam ser observadas;
- exemplos do que pode surgir em cada fase;
- por que crianças da mesma idade podem ser diferentes;
- como brincar e interagir podem acompanhar esse processo;
- quando uma dúvida merece ser compartilhada com um profissional de saúde.
O que são marcos do desenvolvimento infantil?
Os marcos do desenvolvimento são habilidades ou comportamentos que costumam aparecer ao longo do desenvolvimento da criança.
Entre os exemplos estão:
- olhar para rostos;
- sorrir durante uma interação;
- sustentar a cabeça;
- rolar;
- sentar;
- engatinhar ou encontrar outras formas de se deslocar;
- ficar em pé;
- caminhar;
- apontar;
- falar palavras;
- combinar palavras;
- brincar com outras pessoas;
- correr;
- desenhar;
- vestir algumas peças de roupa;
- participar de conversas.
O Ministério da Saúde acompanha habilidades relacionadas ao desenvolvimento motor grosso, motor fino, linguagem, cognição e interação social.
Já o programa de acompanhamento do desenvolvimento do CDC organiza seus marcos em quatro grandes áreas:
- social e emocional;
- linguagem e comunicação;
- cognição;
- movimento e desenvolvimento físico.
As classificações podem variar entre instrumentos, mas todas ajudam a observar o desenvolvimento como algo amplo.
Uma criança não se desenvolve apenas quando aprende a andar ou falar.
Ela também está se desenvolvendo quando:
- procura alguém com o olhar;
- brinca;
- imita;
- resolve pequenos problemas;
- compreende instruções;
- demonstra interesses;
- participa das atividades do cotidiano;
- aprende novas maneiras de se comunicar.
Marco do desenvolvimento não é prova nem diagnóstico
Uma lista de marcos deve funcionar como ferramenta de acompanhamento, não como teste doméstico.
O próprio CDC deixa claro que suas listas não substituem instrumentos padronizados de triagem ou avaliação do desenvolvimento.
Da mesma forma, o Ministério da Saúde orienta que crescimento e desenvolvimento sejam acompanhados regularmente pelos profissionais de saúde.
Por isso, evite usar uma tabela para concluir sozinho que:
“Minha criança está atrasada.”
ou:
“Está tudo perfeito, então não preciso mencionar aquela preocupação ao pediatra.”
A observação da família é extremamente importante, mas faz parte de um acompanhamento mais amplo.
Quais áreas do desenvolvimento infantil devem ser observadas?
Desenvolvimento motor grosso
Envolve movimentos maiores do corpo, como:
- sustentar a cabeça;
- rolar;
- sentar;
- ficar em pé;
- caminhar;
- correr;
- subir degraus;
- chutar;
- saltar.
As experiências de movimento não precisam ser transformadas em treinamento.
O chão seguro, o brincar e as oportunidades de explorar diferentes posições já oferecem experiências importantes.
Desenvolvimento motor fino
Está relacionado a movimentos menores e mais precisos, especialmente das mãos e dedos.
Pode aparecer quando a criança:
- segura objetos;
- transfere algo entre as mãos;
- pega pequenos alimentos com os dedos quando isso já é seguro para sua idade;
- empilha;
- encaixa;
- desenha;
- vira páginas;
- manipula talheres;
- tenta vestir-se.
Nosso conteúdo sobre coordenação motora fina aprofunda brincadeiras que utilizam essas habilidades.
Linguagem e comunicação
Comunicação começa muito antes das primeiras palavras.
Ela pode envolver:
- olhar;
- expressões;
- sons;
- gestos;
- balbucios;
- apontar;
- compreender palavras;
- falar;
- combinar palavras;
- conversar;
- contar acontecimentos.
Conversar, cantar, contar histórias e responder às tentativas de comunicação da criança fazem parte das experiências cotidianas recomendadas pelo Ministério da Saúde.
Desenvolvimento cognitivo
É a área ligada a processos como:
- aprender;
- perceber relações;
- lembrar;
- explorar;
- resolver problemas;
- prever resultados;
- compreender causa e efeito;
- usar objetos de novas maneiras.
Quando um bebê deixa cair um objeto repetidamente para observar o que acontece, existe uma experiência de aprendizagem acontecendo ali.
Quando uma criança maior tenta descobrir como montar um quebra-cabeça, também.
Desenvolvimento social e emocional
Inclui formas de:
- criar vínculos;
- reconhecer pessoas;
- responder às interações;
- brincar com outras crianças;
- perceber emoções;
- expressar necessidades;
- participar de situações sociais.
Essa área também evolui progressivamente e deve ser observada junto às demais.
Marcos do desenvolvimento infantil por idade
As referências abaixo servem para ajudar a compreender a progressão geral do desenvolvimento, e não para estabelecer prazos rígidos.
A Caderneta da Criança brasileira possui instrumentos detalhados de acompanhamento, enquanto o CDC disponibiliza listas para idades específicas até os 5 anos.
Veja alguns exemplos.
Do nascimento aos 2 meses
Nos primeiros meses, grande parte do desenvolvimento acontece na interação com as pessoas e na adaptação do bebê ao ambiente.
Por volta dos 2 meses, entre os comportamentos observados em muitos bebês estão:
- olhar para o rosto de quem interage;
- reagir a sons;
- produzir sons além do choro;
- observar alguém se movimentando;
- olhar para um brinquedo durante alguns segundos;
- movimentar braços e pernas;
- elevar ou sustentar brevemente a cabeça quando está de bruços.
Como favorecer experiências nessa fase
Você pode:
- conversar olhando para o bebê;
- responder aos sons que ele faz;
- apresentar objetos coloridos a uma distância adequada;
- permitir pequenos períodos de bruços enquanto está acordado e supervisionado;
- cantar;
- mudar suavemente a posição do bebê;
- oferecer contato, acolhimento e interação.
O Ministério da Saúde também orienta conversas com contato visual e oportunidades seguras para fortalecer a musculatura do pescoço.
Entre 2 e 6 meses
Ao longo desses meses, as interações costumam ficar cada vez mais evidentes.
A criança pode começar a:
- produzir diferentes sons;
- tentar responder vocalmente ao adulto;
- alcançar objetos;
- explorar mais com as mãos;
- localizar sons;
- rolar;
- apoiar-se melhor quando está de bruços.
Por volta dos 6 meses, muitos bebês:
- reconhecem pessoas familiares;
- riem;
- alternam sons com o adulto;
- alcançam um brinquedo desejado;
- exploram objetos com a boca;
- rolam da barriga para as costas;
- apoiam-se nos braços quando estão de bruços;
- usam as mãos como apoio ao sentar.
A exploração oral é comum nessa fase. Por isso, os objetos oferecidos precisam ser seguros, resistentes e grandes o suficiente para não representar risco de engasgo.
Entre 6 e 12 meses
É uma fase marcada por grandes mudanças nas formas de se movimentar, comunicar e explorar.
O Ministério da Saúde destaca, entre as experiências dessa etapa:
- passar objetos de uma mão para outra;
- buscar a origem dos sons;
- vocalizar;
- participar de interações;
- explorar objetos e o ambiente.
Na Caderneta da Criança aparecem, ao longo dessa faixa, referências como brincar de esconder e achar, transferir objetos de uma mão para outra, duplicar sílabas e sentar sem apoio.
Por volta de 1 ano, entre os marcos considerados pelo CDC estão:
- brincar de jogos simples com o adulto;
- dar tchau;
- chamar uma figura cuidadora por um nome específico;
- compreender o “não”;
- colocar objetos dentro de recipientes;
- procurar algo que viu ser escondido;
- puxar-se para ficar em pé;
- andar apoiando-se nos móveis.
Entre 1 e 2 anos
Depois do primeiro aniversário, surgem mudanças importantes na autonomia.
A criança costuma ampliar progressivamente:
- deslocamento;
- linguagem;
- compreensão;
- gestos;
- brincadeiras;
- exploração dos objetos;
- participação nas atividades diárias.
Aos 2 anos, muitos pequenos já conseguem, entre outras habilidades:
- perceber quando alguém está triste ou machucado;
- procurar o rosto do adulto diante de uma situação nova;
- apontar figuras em um livro quando perguntados;
- combinar pelo menos duas palavras;
- indicar partes do corpo;
- utilizar gestos além de simplesmente apontar;
- brincar com mais de um objeto de forma relacionada;
- correr;
- chutar uma bola;
- utilizar uma colher.
Esses são exemplos de referência.
A evolução de cada criança precisa ser considerada de forma global.
Entre 2 e 3 anos
Nesta fase, a criança frequentemente amplia rapidamente:
- vocabulário;
- conversas;
- brincadeiras simbólicas;
- movimento;
- autonomia;
- curiosidade;
- interação com outras crianças.
Por volta dos 3 anos, muitos pequenos:
- percebem outras crianças e se juntam a elas para brincar;
- mantêm pequenos diálogos com trocas de fala;
- fazem perguntas como “quem?”, “onde?” e “por quê?”;
- dizem o próprio nome;
- descrevem ações vistas em imagens;
- desenham um círculo após demonstração;
- vestem algumas peças simples;
- utilizam garfo.
Nessa idade, o brincar ganha ainda mais possibilidades.
Faz de conta, histórias, construções, desenhos e brincadeiras corporais ajudam a criança a explorar habilidades que estão surgindo.
Conheça também nossas brincadeiras para crianças de 2 a 3 anos.
Dos 3 aos 5 anos
A fase pré-escolar traz grande ampliação das experiências sociais, motoras, cognitivas e de linguagem.
A criança tende progressivamente a:
- conversar mais;
- elaborar histórias;
- participar de brincadeiras com outras crianças;
- compreender regras simples;
- utilizar mais autonomia nas tarefas diárias;
- desenhar formas cada vez mais reconhecíveis;
- experimentar saltos, corridas e outros movimentos;
- resolver pequenos problemas;
- brincar de faz de conta de maneiras mais elaboradas.
A Caderneta da Criança acompanha especificamente marcos entre 3 anos e meio e 5 anos, além de possuir uma seção própria para o período dos 5 aos 6 anos.
É importante observar não apenas o que a criança consegue fazer sozinha, mas também:
- como se comunica;
- como brinca;
- como aprende;
- como se movimenta;
- como reage às pessoas;
- como participa da rotina.
Para ideias adequadas a essa etapa, veja nossas brincadeiras para crianças de 4 a 5 anos.
E depois dos 5 anos?
O desenvolvimento continua.
A Caderneta da Criança brasileira não termina quando a criança completa 5 anos. O documento acompanha saúde, crescimento e desenvolvimento até os 9 anos e inclui orientação para o desenvolvimento dos 6 aos 10 anos.
Na idade escolar, novas habilidades vão se tornando mais complexas:
- linguagem;
- leitura e escrita;
- planejamento;
- raciocínio;
- coordenação;
- convivência;
- autonomia;
- organização;
- regulação emocional;
- resolução de conflitos.
É um erro pensar que desenvolvimento infantil significa apenas aprender a sentar, andar e falar.
Ele continua acontecendo durante toda a infância.
Marcos do desenvolvimento não são apenas motores
Quando alguém fala em marco do desenvolvimento infantil, é comum pensar imediatamente em:
“Quando sentou?”
“Quando engatinhou?”
“Quando andou?”
Mas o acompanhamento vai muito além.
Imagine duas crianças da mesma idade.
Uma pode estar avançando rapidamente na linguagem.
Outra pode demonstrar grande interesse por movimento e construção.
Outra pode ser mais observadora antes de participar socialmente.
Por isso, é importante olhar para o conjunto:
movimento + comunicação + aprendizagem + interação + comportamento + autonomia.
Uma única habilidade não resume o desenvolvimento de uma criança.
Toda criança precisa engatinhar?
Essa é uma dúvida muito comum.
O desenvolvimento motor pode seguir caminhos diferentes.
Algumas crianças engatinham da maneira mais conhecida, apoiadas nas mãos e nos joelhos.
Outras utilizam formas diferentes de deslocamento ou passam rapidamente para outras posições.
Mais importante do que transformar uma habilidade isolada em obrigação é acompanhar o desenvolvimento motor global e sua progressão com o pediatra.
Se houver preocupação com movimentos, assimetria, perda de habilidades ou progressão motora, vale mencionar na consulta.
Crianças da mesma idade podem apresentar diferenças?
Sim.
O desenvolvimento infantil apresenta variações individuais.
Diferenças podem estar relacionadas a:
- experiências;
- oportunidades de movimento e interação;
- saúde;
- prematuridade;
- contexto familiar;
- características individuais;
- interesses;
- condições biológicas e ambientais.
Uma diferença isolada não deve ser automaticamente interpretada como atraso.
Por outro lado, “cada criança tem seu tempo” também não deve ser usado para ignorar preocupações persistentes.
O equilíbrio está em:
respeitar diferenças e acompanhar o desenvolvimento.
E no caso de bebês prematuros?
Para crianças que nasceram prematuramente, profissionais de saúde podem considerar a idade corrigida ao avaliar determinados aspectos do desenvolvimento nos primeiros anos.
O próprio CDC orienta utilizar a idade corrigida em suas listas quando o bebê nasceu mais de três semanas antes do previsto.
Como a situação varia conforme a idade gestacional, a saúde e o histórico do bebê, esse acompanhamento deve ser individualizado com o pediatra e a equipe responsável.
O que pode favorecer o desenvolvimento infantil?
Não é necessário transformar a casa em uma clínica ou criar uma programação de estimulação durante o dia inteiro.
Grande parte das oportunidades aparece no cotidiano.
Converse
Fale sobre:
- o que estão fazendo;
- o que estão vendo;
- o que aconteceu;
- objetos;
- pessoas;
- sentimentos.
Responda às tentativas de comunicação.
Leia histórias
Livros proporcionam oportunidades para:
- linguagem;
- imaginação;
- atenção compartilhada;
- memória;
- interação.
Permita movimento
Quando o ambiente for seguro, deixe a criança:
- rolar;
- alcançar;
- caminhar;
- correr;
- saltar;
- subir em estruturas apropriadas;
- carregar;
- empurrar;
- experimentar o corpo.
Brinque
O próprio Ministério da Saúde destaca a brincadeira como um dos principais meios infantis de expressão, investigação e aprendizagem sobre as pessoas e o mundo.
Você não precisa transformar cada brincadeira em uma atividade pedagógica.
Construir.
Correr.
Fazer de conta.
Desenhar.
Conversar.
Montar.
Inventar.
Tudo isso pode fazer parte das experiências infantis.
Deixe espaço para a brincadeira livre
Nem tudo precisa ser conduzido pelo adulto.
Na brincadeira livre, a criança toma decisões, experimenta possibilidades e cria seus próprios caminhos.
Participe da rotina
Pequenas tarefas apropriadas à idade também podem oferecer experiências importantes:
- guardar brinquedos;
- escolher roupas;
- ajudar a colocar objetos na mesa;
- organizar livros;
- participar do preparo de alimentos com segurança.
Autonomia também faz parte do desenvolvimento.
Preciso estimular todos os marcos?
Não.
Uma família não precisa olhar para cada item de uma tabela e criar um exercício específico para fazê-lo aparecer.
Esse tipo de postura pode transformar o acompanhamento em ansiedade.
O melhor é oferecer:
- vínculo;
- conversa;
- segurança;
- oportunidades de movimento;
- brincadeiras;
- histórias;
- interação;
- experiências variadas;
- participação no cotidiano.
O acompanhamento profissional ajuda a avaliar se a evolução está ocorrendo de maneira adequada e se alguma área precisa de atenção específica.
O que não fazer ao acompanhar os marcos do desenvolvimento
Evite:
- comparar constantemente com outras crianças;
- transformar cada habilidade em competição;
- pressionar para atingir um marco;
- treinar uma habilidade de maneira exaustiva;
- usar vídeos da internet como diagnóstico;
- concluir que existe atraso com base em uma única comparação;
- ignorar uma preocupação persistente apenas porque alguém disse que “cada criança tem seu tempo”;
- culpar a criança;
- culpar os responsáveis.
O acompanhamento deve trazer informação e ajudar na tomada de decisões, não aumentar a culpa.
Quando procurar orientação profissional?
Você não precisa esperar ter certeza de que existe um problema para conversar com o pediatra.
Procure orientação especialmente quando:
- um marco esperado para uma fase anterior ainda não apareceu;
- você percebe diferenças importantes em relação à evolução anterior da própria criança;
- existem dificuldades persistentes de comunicação, movimento, interação ou aprendizagem;
- alguma característica interfere bastante na participação cotidiana;
- a escola também manifesta preocupação;
- você simplesmente sente que algo não está evoluindo como esperava.
E existe uma situação que merece atenção particular:
perda de habilidades que a criança já possuía.
O CDC orienta que famílias procurem avaliação quando uma criança perde habilidades anteriormente adquiridas, deixa de atingir um ou mais marcos esperados ou quando existe qualquer preocupação com seu desenvolvimento.
Isso não significa que exista necessariamente um transtorno.
Significa que vale investigar.
Quem acompanha os marcos do desenvolvimento infantil?
O acompanhamento começa com a própria família, que observa a criança diariamente, mas envolve diferentes profissionais.
Dependendo da situação, podem participar:
- pediatra;
- médico da família;
- enfermeiro;
- profissionais da escola;
- fonoaudiólogo;
- fisioterapeuta;
- terapeuta ocupacional;
- psicólogo;
- outros especialistas.
A Secretaria da Saúde do Paraná, seguindo a política nacional, destaca que profissionais de saúde, pais, avós, educadores e outros cuidadores podem participar da vigilância do desenvolvimento.
A função da família não é diagnosticar.
É observar, acompanhar e compartilhar informações.
Como acompanhar os marcos do desenvolvimento no Brasil?
Uma das melhores referências é a Caderneta da Criança, do Ministério da Saúde.
Ela acompanha:
- crescimento;
- desenvolvimento;
- vacinação;
- saúde;
- cuidados;
- prevenção;
- outros aspectos da infância.
O documento é utilizado desde o nascimento e acompanha a criança até os 9 anos.
Caderneta Digital da Criança
Hoje também existe uma versão digital integrada ao Meu SUS Digital.
Ela permite às famílias consultar informações relacionadas à saúde e ao desenvolvimento, incluindo os marcos do desenvolvimento e alertas de atenção.
O serviço foi atualizado pelo Governo Federal em agosto de 2026 e pode ser acessado pelo aplicativo Meu SUS Digital.
Mesmo utilizando a versão digital, mantenha o acompanhamento nas consultas de rotina.
Com que frequência o desenvolvimento deve ser acompanhado?
O Ministério da Saúde recomenda consultas de rotina em momentos importantes dos primeiros anos:
- primeira semana;
- 1 mês;
- 2 meses;
- 4 meses;
- 6 meses;
- 9 meses;
- 12 meses;
- 18 meses;
- 24 meses;
- 36 meses.
A partir dos 2 anos, o Ministério orienta que as consultas de rotina ocorram, no mínimo, anualmente, próximas ao aniversário.
Essas consultas permitem acompanhar muito mais do que peso e altura.
Também são oportunidades para conversar sobre:
- desenvolvimento;
- alimentação;
- sono;
- comportamento;
- linguagem;
- movimento;
- vacinação;
- rotina;
- preocupações da família.
Perguntas frequentes sobre marcos do desenvolvimento infantil
O que são marcos do desenvolvimento infantil?
São habilidades e comportamentos que costumam aparecer conforme a criança se desenvolve, envolvendo movimento, comunicação, aprendizagem, interação social e outras áreas.
Qual é o primeiro marco do desenvolvimento infantil?
O desenvolvimento começa desde o nascimento.
Nos primeiros meses, são observados comportamentos como postura, reações a sons, olhar para rostos, movimentos dos braços e pernas e progressiva capacidade de sustentar a cabeça.
Não existe um único “primeiro marco” que represente todo o desenvolvimento.
Com quantos meses o bebê deve sorrir?
Por volta dos primeiros meses começam a surgir respostas sociais cada vez mais claras. O CDC inclui sorrir em resposta à fala ou ao sorriso do adulto entre os marcos observados na lista de 2 meses.
Uma preocupação específica deve ser discutida com o pediatra considerando o conjunto do desenvolvimento.
Com quantos meses o bebê senta?
Sentar acontece progressivamente.
Por volta dos 6 meses, muitos bebês começam a apoiar-se nas mãos enquanto permanecem sentados; ao longo dos meses seguintes, o equilíbrio tende a evoluir. A Caderneta da Criança acompanha o marco de sentar sem apoio durante a fase seguinte do primeiro ano.
Com quantos meses o bebê começa a falar?
A linguagem começa antes das palavras.
Primeiro aparecem sons, trocas vocais, balbucios e gestos.
Por volta de 1 ano, muitos bebês usam um nome específico para uma figura cuidadora; aos 2 anos, um dos marcos utilizados pelo CDC é combinar pelo menos duas palavras.
Com quantos meses o bebê começa a andar?
O processo começa antes dos primeiros passos independentes.
Por volta de 1 ano, muitos bebês já puxam o corpo para ficar em pé e caminham apoiados em móveis. O momento da marcha independente apresenta variação e deve ser acompanhado dentro do desenvolvimento motor global.
A criança precisa atingir todos os marcos exatamente na idade indicada?
Não.
As idades são referências de acompanhamento, não datas rígidas.
O desenvolvimento deve ser observado ao longo do tempo e em conjunto com profissionais de saúde.
Atrasar um marco significa que a criança tem algum transtorno?
Não necessariamente.
Um marco isolado não estabelece diagnóstico.
O profissional considera o conjunto do desenvolvimento, o histórico da criança, a idade, outros sinais e diferentes contextos.
Perder uma habilidade já adquirida é normal?
A perda de habilidades previamente adquiridas deve ser comunicada ao profissional de saúde.
É uma das situações em que o CDC recomenda agir precocemente e conversar com o médico.
O que significa desenvolvimento motor?
É a evolução das habilidades relacionadas ao movimento e ao controle do corpo.
Pode envolver tanto movimentos amplos, como correr e saltar, quanto movimentos mais precisos das mãos e dedos.
O desenvolvimento da fala faz parte dos marcos?
Sim.
Linguagem e comunicação fazem parte das áreas acompanhadas no desenvolvimento infantil.
Brincar ajuda no desenvolvimento?
Brincar oferece oportunidades para a criança movimentar-se, comunicar-se, imaginar, experimentar, resolver problemas e interagir.
O Ministério da Saúde reconhece a brincadeira como um importante meio infantil de expressão, investigação e aprendizagem.
Onde posso consultar os marcos oficialmente?
No Brasil, uma das principais referências é a Caderneta da Criança, disponibilizada pelo Ministério da Saúde nas versões física e digital.
Marcos são referências para acompanhar, não para comparar
É fácil transformar o desenvolvimento infantil em uma corrida:
“O filho de alguém já anda.”
“A outra criança já fala mais.”
“Ela fez isso mais cedo.”
Mas desenvolvimento não é competição.
Uma lista de marcos é mais útil quando nos ajuda a observar a trajetória da própria criança.
O que ela começou a fazer?
O que está tentando?
Como se comunica?
Como brinca?
Como se movimenta?
Que habilidades estão surgindo?
Existe alguma coisa que preocupa a família?
A melhor utilização dos marcos do desenvolvimento infantil está nesse acompanhamento atento.
Não para apressar a infância.
Não para comparar.
E também não para ignorar sinais importantes.
Observe.
Brinque.
Converse.
Leia.
Ofereça oportunidades seguras de movimento e exploração.
Leve suas dúvidas às consultas.
E permita que cada conquista seja vista pelo que realmente representa: mais uma etapa de uma criança que está crescendo, aprendendo e descobrindo o mundo.
Para continuar acompanhando esse processo, conheça também nossos conteúdos sobre Por que brincar é essencial para o desenvolvimento infantil, Equilíbrio entre telas e brincadeiras: 7 benefícios para o desenvolvimento infantil, O que acontece quando a criança brinca pouco? e nossas opçoes gratuitas para baixar e se diverir com a criançada lonje das telas.
É brincando que a gente aprende.

